Nieuws Published at 17 February 2021

A empresa do futuro: a estrutura de poder em organizações dinâmicas

Por Fernando Aguirre* e Camilla Padua** 

Dando sequência ao nosso conjunto de artigos a respeito da "Empresa do Futuro", este texto irá tratar do primeiro detrator do processo de transformação, relacionado às estruturas organizacionais verticalizadas. Poder, tomada de decisão, plano de carreira, autonomia e modelos de gestão mais descentralizados são temas que sempre levantam debates, no entanto, há poucas boas iniciativas. 

O famoso "plano de carreira", onde sabe-se as competências e os passos a serem tomados, dificilmente é possível sem estruturas complexas e verticais. Para se ter "respostas" sobre qual é o próximo passo, é necessário engessamento e cadeiras bem delimitadas, que, por sua vez, geram falhas de comunicação, baixa produtividade, criatividade e responsabilidade. 

Outro ponto essencial para uma boa descentralização de poder é uma comunicação rápida e fluida. Afinal a qualidade da decisão depende do repertório de informações que a pessoa tem, bem como um repertório de experiências que as habilitam a lidarem com a complexidade das decisões de forma quase intuitiva. 

Como o aumento da complexidade dos negócios, por mais experiente que seja o executivo, o risco de uma decisão intuitiva unilateral é muito alto. Além disso, a concentração da tomada de decisão prejudica a agilidade organizacional. 

Para começar a endereçar esses dilemas, é importante observar 3 vetores: gestão do conhecimento e experiência do colaborador; dinâmica organizacional; e cultura de experimentação. 

Gestão do conhecimento e experiência do colaborador 
Pesquisas indicam que o desenvolvimento e o reconhecimento são mais relevantes que o cargo em si (mesmo nas diversas gerações). Ao invés de "plano de carreira", precisamos pensar em formas de aprendizado prático, autônomo, metrificável e integrado ao ecossistema, bem como boas práticas de gestão para criar o ambiente que sustente a alta performance e promova maior engajamento e conexão com o propósito da empresa. 

Dinâmica organizacional 
Empresas precisam ser dinâmicas para agir e reagir às mudanças a tempo, e isso vai muito além de organograma. Trata-se de sistemas, processos ágeis, feedback de aprendizagem, autonomia, expressão, conexão, desafio. Aqui o ponto principal é como fazer com que os ambientes organizacionais (que hoje são inclusive digitais e remotos) sejam mais parecidos com a forma como nos relacionamos e pensamos, ao invés de tentar fazer as pessoas se adequarem a estruturas rígidas. 

Cultura de experimentação 
Como não temos mais uma realidade onde a liderança tem as "respostas certas" (se é que um dia isso foi a realidade) ter uma cultura de experimentação, onde decisões são pautadas em testes e dados, sempre envolvendo o cliente no processo de pesquisa e construção, permite uma descentralização da tomada de decisão de forma mais segura e contribui para um processo objetivo e colegiado, mais adequado a realidades complexas. 

A "Empresa do Futuro" precisa estar atenta à sua dinâmica organizacional de forma consciente, utilizando das técnicas acima para promover o "poder" dos seus colaboradores e, com isso, crescer e inovar na velocidade que o mercado exige. Isso demanda dos acionistas e da gestão um aprendizado e um esforço contínuo de desapego, priorizando este novo ambiente em prol da organização. 

*Fernando Aguirre é sócio de Mercados Regionais da KPMG no Brasil. 
**Camilla Padua é sócia-diretora e líder de Consultoria de Pessoas da KPMG no Brasil.