Nieuws Published at 11 February 2021

Brasil possui mais de 160 startups dedicadas ao desenvolvimento de cidades inteligentes

Desde 2010, empresas do segmento atraíram mais de US$ 331 milhões em investimentos; mobilidade é o foco de atuação de quase um terço destas startups

São Paulo, janeiro de 2021 - No Brasil, o crescente fenômeno do aumento populacional em áreas urbanas traz consigo a necessidade de implementação de soluções voltadas para a estruturação e adequação de municípios, a fim de que possam oferecer qualidade de vida aos seus habitantes. Atualmente o país já conta com 166 startups dedicadas à causa das cidades inteligentes. São empresas que, a partir do uso da tecnologia, buscam resolver problemas de infraestrutura, mobilidade, governança, preservação ambiental, economia, segurança, entre outros. A informação é do Distrito Smart Cities Report, que também aponta que, em 2020, essas startups receberam US$ 49,4 milhões em aportes. 

O estudo, realizado pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da empresa de inovação aberta Distrito, com apoio da KPMG, revela que do total das startups de cidades inteligentes, 110 surgiram nos últimos cinco anos. Hoje, a grande maioria destas novatas (64,4%) está concentrada na região Sudeste. Somente o estado de São Paulo abriga 42,8% delas. Na sequência está a região Sul, que detém 25% do total -- com destaque para Santa Catarina, que é o segundo estado com mais startups do segmento (10%). 

O Distrito Smart Cities Report desmembrou ainda as startups do setor em oito categorias. As que se voltam para melhorias na Mobilidade (32,5%) lideram este levantamento. Na sequência estão empresas dedicadas a resolver problemas de Infraestrutura Urbana, a partir da gestão de água e energia (12%); Soluções Ecológicas, com controle ambiental (10,8%); Planejamento e Gestão, com projetos e execução de construções e outras iniciativas (9,6%), Operações Municipais, com tecnologias para auxiliar a administração pública (9,6%); Gestão de Resíduos (9,6%); Segurança (8,4%) e, por fim, Qualidade de Vida (7,2%). 

"De modo geral, as startups possuem uma capacidade ímpar de atacar com agilidade problemas com os quais nos deparamos no dia a dia, aplicando a tecnologia em prol dos cidadãos, que passam a ter acesso a melhores e mais baratos produtos e serviços. No caso daquelas que trabalham por cidades mais inteligentes e conectadas, não é diferente. A tecnologia é canal para uma vida urbana melhor e economicamente mais próspera", pontua Luiz Gustavo Comeli, líder de Corporate Success do Distrito. 

Para Comeli, no entanto, chama a atenção a falta de investimentos no setor e a baixa interlocução com o Estado. "A maior evidência disso é a baixa ocorrência de parcerias público-privadas, consideradas essenciais para alavancar a transformação inteligente nos municípios", afirma. "Ainda assim, conseguimos enxergar um ambiente vibrante e engajado na transformação positiva das nossas cidades, o que é de extrema importância para um país que deve ter mais de 90% da população vivendo em centros urbanos até 2050", completa. 

"O Brasil ainda enfrenta grandes desafios, mas podemos aprender com outros países que saltos são possíveis por meio de fortes ecossistemas de inovação, integrando governo, academia, indústria, startups e sociedade, para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras, que já acumulam mais de 85% da população. Por isso é imperativo, neste momento de despertar para a importância ESG, discutirmos o papel que o ecossistema de inovação pode desempenhar para um amanhã mais rico e sustentável para o País, acelerando o processo de chegada desta nova Sociedade 5.0 no Brasil", afirma o sócio de transformação digital da KPMG, Daniel Carocha. 

Investimentos 

Desde 2010, mais de US$ 331 milhões foram investidos em startups que apresentam soluções que se voltam para cidades inteligentes. Apesar do volume de investimentos, ocorreram apenas 42 rodadas -- das quais somente 35 tiveram seu valor anunciado. O ano com o maior volume de investimentos foi 2017, com quase dois terços do valor total. Esse desequilíbrio ocorreu por conta da rodada Série C da 99, no montante de US$ 200 milhões. 

Como em outras verticais analisadas pelo Distrito, os investimentos em estágios iniciais predominam no setor. Mais de 60% do total dos aportes é realizado em etapas Seed e Pré-Seed. Vale ressaltar também que a categoria de Mobilidade concentra mais de 90% do total investido no segmento, somando mais de US$ 306 milhões. 

Em 2020, as empresas do setor já atraíram US$ 49,4 milhões. O volume é 150% superior ao total investido no último ano, que somou US$ 19,8 milhões. 

Destaques e promessas 

O levantamento também apresenta o Top 10 das maiores startups do setor. O ranking foi calculado a partir de um algoritmo que cruza dados como número de funcionários, faturamento presumido, investimento captado e métricas de redes sociais. O resultado apontou 99, Tembici, Up Lexis, Altave, Easy Carros, Cobli, Colab, Camerite, Solfácil e Gove como as maiores startups do segmento. 

Utilizando os mesmos critérios para calcular o Top 10, mas dando um peso maior a critérios como investimentos captados e visibilidade nas redes sociais, o Distrito também apontou quais são as startups que devem se destacar nos próximos anos. Para chegar aos nomes, foram consideradas apenas as empresas que nasceram após 2012 e que contam com menos de 200 funcionários. Entre as apostas estão Comprovei, Courri, Epitrack, Lemobs, E-moving, Clarck Energia, Sunew, Fretadão, Rabbot e Prevision. 

Tendências 

O estudo ainda traz as tendências do setor para o futuro, como a chegada do 5G como grande viabilizador de cidades inteligentes, tecnologias para o cultivo de áreas verdes, orientação das atividades dos cidadãos através de data-driven, entre outras iniciativas. O cenário internacional de investimentos em startups do segmento e alguns cases de sucesso, como as soluções implementadas em Londres e Toronto, também são abordadas pelo levantamento. 

Para conferir o estudo na íntegra, clique aqui: https://conteudo.distrito.me/dataminer-report-smart-cities